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Grande Sertão Veredas - este pra mim é uma questão de honra, uma vez uma menina me indagou se ele realmente se tratava de um livro, não quero ter que cometer a mesma gafe um dia.
Os Lusíadas - infinitos versos decassílabos que todo mundo que lê, adora, acha maravilhoso e não entende nada. Quero poder captar alguma coisa.
Odisséia - uma das mais antigas obras literárias que se tem noticia, se chegou até nós, é porque alguma coisa boa deve ter aí.
Vidas secas/ Angústia/Insônia/Memórias de Cárcere - tá de bom tamanho pra mergulhar em Graciliano Ramos.
Helena - o lado romântico de Machado de Assis, confesso que eu estou mais acostumado com seu lado realista.
Broquéis - o anjo negro e toda sua linguagem simbólica merece mais destaque diante dos meus olhos.
Lira dos vinte anos - chorar, se impregnar em melancolias de vez em quando, não faz mal pra ninguém. Hipocrisia é achar que a vida é feita só de risos.
Cem anos de Solidão - estou fazendo o processo inverso com Gabo, comecei com seu mais recente e menos badalado “Memórias de minhas putas tristes”, agora já está passando da hora de me deparar com o seu grande ápice.
Metamorfose - Kafka, o tão comentado homem que se transformou em barata (ou sei lá o que), sei que com certeza ele deve ir muito além disso.
t.c.s.

criado por fecega
10:36:12“Mulher fica roxa apenas com uma encostada”, disse o pai de um dos jovens agressores da doméstica Sirlei Dias de Carvalho, 32 anos, covardemente espancada num ponto de ônibus na Barra da Tijuca.
Seguindo esse modo de pensar temos então:
"Menino mole, morre só de ser arrastado uns quilômetros", sobre o menino arrastado até a morte no Rio de Janeiro...
"Povo mais frágil, mal a bala perdida encosta, já estão dando entrada no hospital", das muitas vítimas de bala perdida Brasil afora...
"Pessoas invejosas, são só uns boizinhos, umas notas falsas, e uma puladinha de cerca, e já fica todo mundo irritado", certo senador mal na foto, e se segurando na cadeira...
s.o.

criado por fecega
12:19:16Na propalada maior biblioteca do estado, muitas vezes não encontramos diversos livros que estão catalogados. Explicação da atendente: "a gente não encontra pois muitos desses livros são furtados pelos acadêmicos". Não posso crer no que ouço, mas é uma realidade, mais uma nesse monte de péssimas verdades em que vivemos. Para não atirar pedras e ter teto de vidro, busquei nos meus livros filhos extraviados, quebrei a cara, tinha três que não foram comprados nem presenteados, mas antes da condenação eu tenho direito de defesa, vamos a ela:
Dois eu "salvei" de um baú, estavam empoeirados e eu convalecia de uma cirurgia de apêndicite, era o Contos Novos do Mário de Andrade, com o incrível "No Tempo da Camisolinha", e o Caso dos Dez Negrinhos da Ágatha Christie, me afeiçoei a eles (me ajudaram naqueles dias em que me recuperava), subtrai-os da dona que adorava novelas mexicanas do SBT e nem sabia que eles existiam, não justifica, mas explica.
O outro foi um esquecimento, mas foi pecaminoso. Trabalhava à época dentro de uma escola salesiana, e uma freira percebendo que em alguns períodos eu não fazia nada, me emprestou o Pobre de Deus do Nikos Kazantizakis, li e gostei muito, resultado, me levou um outro livro, esse também sobre a vida de São Francisco, só que sem ser romanceado, São Francisco de Assis e o espírito franciscano, do Ivan Gobry, aceitei por educação, não li, e acabei não devolvendo, eu assumo esse erro, e pretendo devolver um dia desses, ainda é possível.
Agora furtar livros que estão à serviço de muitos, levar para casa para se beneficiar do produto e assim não precisar mais recorrer à Biblioteca, levando vantagem, enquanto muitos se descabelam pela falta dele. Ou levar para talvez vender e lucrar um trocadinho, isso é imperdoável. Donos de sebo do mundo uni-vos, chegando um meliante com livro de biblioteca pública ou particular, feche a loja, tire uma escopeta, um revólver, dispare sem dó, fatie o presunto e esconda os restos naquele quartinho abarrotado de Sabrinas e Paulo Coelho. Não há perdão para um safado desses, e o mundo agradece a falta que ele não vai fazer.

s.o.

criado por fecega
09:21:58Sou um defensor do Gabriel Garcia Marquez, não que ele precise, na verdade seu último livro o Memórias das Minhas Putas Tristes se prestou a todos os tipos de críticas, tanto para o bem, quanto para o mal. Eu acho que ele é um bom livro, passável no meio desse mar de porcarias que nos rodeia hoje, ainda o prefiro a qualquer um do paulo coelho (mesmo até uma criança repetindo isso direto). Mas a desculpa para falar dele é que como o tempo vai passando, a importância de prêmios signifiquem a morte ou a imortalidade de muitos grandes autores, é incrível como são preteridos e abandonados como se nada de bom tivessem escrito. Um desses casos é Alejo Carpentier, um escritor cubano que era um verdadeiro joalheiro da palavra. É dele alguns dos melhores livros já escritos na América Latina, a fonte surrealista em que bebeu na sua viagem à França, tudo traduzido como obra de arte. Mas se coube a ele se encantar e viver a revolução cubana, a muitos latinos-americanos que apenas regurgitam os mais vendidos nas grandes revistas, coube um virar de costas por simples desconhecer. Muitos dos seus livros dormem em estantes dos sebos, são olhados com desconfiança e nada mais, o que é uma pena, valem cada centavo empreendido.
"... el hombre nunca sabe para quién padece y espera. Padece y espera y trabaja para gente que nunca conocerá, y que a su vez padecerán y esperarán y trabajarán para otros quetampoco serán felices, pues el hombre ansía siempre una felicidad situada más allá de la porción que le es otorgada. Pero la grandeza del hombre está precisamente en querer mejorar lo que es. En imponerse tareas. En el reino de los cielos no hay grandezas que conquistar, puesto que allá todo es jerarquía establecida, incógnita despejada, existir sin término, imposibilidad de sacrificio, reposo y deleite. Por eso agobiado de penas y de tareas, hermoso dentro de su miseria, capaz de amar en medio de las plagas, el hombre sólo puede hallar su grandeza, su máxima medida, en el Reino de este Mundo. " Reproducción de un fragmento del final de "El reino de este mundo".
tudo sobre Carpentier aqui: http://kplus.cosmo.com.br/materia.asp?co=326&rv=Literatura

s.o.

criado por fecega
17:49:05Como era lindo, ver o tempo passar e um belo dia sentir a saudade afagar o peito, as pernas bambas, sôfregas corriam para o silêncio de um quarto onde lá escondidinho dentro do guarda roupa havia uma caixa, e dentro dela um calhamaço de envelopes já amarelados, fotos já sem pose alguma, mas ainda que de leve ressentia um perfume no ar, as lembranças percorriam mente e coração.
De repente acontecia uma trilha musical na mente e lá na sala já havia uma vitrola à espera de ser refúgio, ocorria nas mãos um disco de vinil já arranhado que insistia em ser executado, aquele xiadinho de fundo dava uma amargura, um lamento, um arrependimento por algo que tinha que ser feito e não foi.
Lugares a dois também eram fortes cenários de nostalgia. A praça, o banquinho de pedra, o portão, a janela da serenata, os bailes, a valsa.
Depois vinham as pessoas, o medo de encarar o pai da moça, o pavor da sogra, e o namoro vinha longo, longo e se acabava doía dias e noites que nem picada de escorpião. Tudo isso acontecia porque os sonhos também eram longos, só se sonhava se desse para acreditar que era PRA SEMPRE!
Hoje não mais. Não existem cartas de amor, não existem discos de vinil, não existem praças aconchegantes e nem banquinhos na calçada.
Nada mais envelhece, nada mais se acaba, e assim fica sem se saber o que era bom ou não, não existe saudade, pois nada mais se perde.
Os sentimentos mudam, mas existe um brechó de sentimentos. Os e-mails não se amarelam na caixa de entrada e o que não serve mais pra mim, serve para outra pessoa, ou melhor, o que não serve mais para minha antiga amada serve para minha nova amada, é só encaminhar, os e-mails não tem perfume, não tem a caligrafia caprichada do autor, mas tem sons, bichinhos de power point, coisas que só a áurea do computador pode produzir.
As fotos agora nem vão para o papel, são olhadas e já apagadas na mesma hora, não passam de um segundo olhar, perdeu-se o gosto da foto para se eternizar momentos mesmos que eles viessem acompanhados do bicão, do mané fazendo chifrinho, e com aquelas manchas que indicam que a foto quase queimara, que por milagre o laboratório salvou. Os vinis, muitas crianças já nem sabem o que é isso e muito em breve nem o CD vão conhecer, num único aparelhinho posso guardar toda a minha vida musical e mudá-la todos os dias, uma identidade inconstante.
Os beijos de praça, o baile, a valsa deram espaço para as danceterias com seus jogos de luzes que com tantos movimentos dispensam a pessoa até de dançar, e não são capazes nem de fixar história, a cada noite abre e fecha uma nova boate, mal dá tempo de ler o nome. E os amassos de portão agora se finalizam direto no quarto de motel. Pedir pro pai? Como que se pede uma coisa dessa?
É claro que o mundo muda e isso é até bom, mas dá saudade de quando as coisas aconteciam devagarinho, tudo no seu tempo e quase sempre com uma só pessoa.
Velhos tempos, belos dias...
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recuperado graças à http://estrelasnomeurumo.blog.terra.com.br (thank you)
t.c.s.

criado por fecega
14:42:45