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Como era lindo, ver o tempo passar e um belo dia sentir a saudade afagar o peito, as pernas bambas, sôfregas corriam para o silêncio de um quarto onde lá escondidinho dentro do guarda roupa havia uma caixa, e dentro dela um calhamaço de envelopes já amarelados, fotos já sem pose alguma, mas ainda que de leve ressentia um perfume no ar, as lembranças percorriam mente e coração.
De repente acontecia uma trilha musical na mente e lá na sala já havia uma vitrola à espera de ser refúgio, ocorria nas mãos um disco de vinil já arranhado que insistia em ser executado, aquele xiadinho de fundo dava uma amargura, um lamento, um arrependimento por algo que tinha que ser feito e não foi.
Lugares a dois também eram fortes cenários de nostalgia. A praça, o banquinho de pedra, o portão, a janela da serenata, os bailes, a valsa.
Depois vinham as pessoas, o medo de encarar o pai da moça, o pavor da sogra, e o namoro vinha longo, longo e se acabava doía dias e noites que nem picada de escorpião. Tudo isso acontecia porque os sonhos também eram longos, só se sonhava se desse para acreditar que era PRA SEMPRE!
Hoje não mais. Não existem cartas de amor, não existem discos de vinil, não existem praças aconchegantes e nem banquinhos na calçada.
Nada mais envelhece, nada mais se acaba, e assim fica sem se saber o que era bom ou não, não existe saudade, pois nada mais se perde.
Os sentimentos mudam, mas existe um brechó de sentimentos. Os e-mails não se amarelam na caixa de entrada e o que não serve mais pra mim, serve para outra pessoa, ou melhor, o que não serve mais para minha antiga amada serve para minha nova amada, é só encaminhar, os e-mails não tem perfume, não tem a caligrafia caprichada do autor, mas tem sons, bichinhos de power point, coisas que só a áurea do computador pode produzir.
As fotos agora nem vão para o papel, são olhadas e já apagadas na mesma hora, não passam de um segundo olhar, perdeu-se o gosto da foto para se eternizar momentos mesmos que eles viessem acompanhados do bicão, do mané fazendo chifrinho, e com aquelas manchas que indicam que a foto quase queimara, que por milagre o laboratório salvou. Os vinis, muitas crianças já nem sabem o que é isso e muito em breve nem o CD vão conhecer, num único aparelhinho posso guardar toda a minha vida musical e mudá-la todos os dias, uma identidade inconstante.
Os beijos de praça, o baile, a valsa deram espaço para as danceterias com seus jogos de luzes que com tantos movimentos dispensam a pessoa até de dançar, e não são capazes nem de fixar história, a cada noite abre e fecha uma nova boate, mal dá tempo de ler o nome. E os amassos de portão agora se finalizam direto no quarto de motel. Pedir pro pai? Como que se pede uma coisa dessa?
É claro que o mundo muda e isso é até bom, mas dá saudade de quando as coisas aconteciam devagarinho, tudo no seu tempo e quase sempre com uma só pessoa.
Velhos tempos, belos dias...
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recuperado graças à http://estrelasnomeurumo.blog.terra.com.br (thank you)
t.c.s.

criado por fecega
14:42:45