Fé Cega

"Tenho no peito tanto medo, é cedo/Minha mocidade arde, é tarde/Se tens bom-senso ou juízo, eu piso/Se a sensatez você prefere, me fere/Vem aplacar esta loucura, ou cura/Faz deste momento terno, eterno/[...]." Tom Zé

Fé Cega

"Tenho no peito tanto medo, é cedo/Minha mocidade arde, é tarde/Se tens bom-senso ou juízo, eu piso/Se a sensatez você prefere, me fere/Vem aplacar esta loucura, ou cura/Faz deste momento terno, eterno/[...]." Tom Zé
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Terra Blog

04.07.07

Dos que furtam livros

Na propalada maior biblioteca do estado, muitas vezes não encontramos diversos livros que estão catalogados. Explicação da atendente: "a gente não encontra pois muitos desses livros são furtados pelos acadêmicos". Não posso crer no que ouço, mas é uma realidade, mais uma nesse monte de péssimas verdades em que vivemos. Para não atirar pedras e ter teto de vidro, busquei nos meus livros filhos extraviados, quebrei a cara, tinha três que não foram comprados nem presenteados, mas antes da condenação eu tenho direito de defesa, vamos a ela:


Dois eu "salvei" de um baú, estavam empoeirados e eu convalecia de uma cirurgia de apêndicite, era o Contos Novos do Mário de Andrade, com o incrível "No Tempo da Camisolinha", e o Caso dos Dez Negrinhos da Ágatha Christie, me afeiçoei a eles (me ajudaram naqueles dias em que me recuperava), subtrai-os da dona que adorava novelas mexicanas do SBT e nem sabia que eles existiam, não justifica, mas explica.


O outro foi um esquecimento, mas foi pecaminoso. Trabalhava à época dentro de uma escola salesiana, e uma freira percebendo que em alguns períodos eu não fazia nada, me emprestou o Pobre de Deus do Nikos Kazantizakis, li e gostei muito, resultado, me levou um outro livro, esse também sobre a vida de São Francisco, só que sem ser romanceado, São Francisco de Assis e o espírito franciscano, do Ivan Gobry, aceitei por educação, não li, e acabei não devolvendo, eu assumo esse erro, e pretendo devolver um dia desses, ainda é possível.


Agora furtar livros que estão à serviço de muitos, levar para casa para se beneficiar do produto e assim não precisar mais recorrer à Biblioteca, levando vantagem, enquanto muitos se descabelam pela falta dele. Ou levar para talvez vender e lucrar um trocadinho, isso é imperdoável. Donos de sebo do mundo uni-vos, chegando um meliante com livro de biblioteca pública ou particular, feche a loja, tire uma escopeta, um revólver, dispare sem dó, fatie o presunto e esconda os restos naquele quartinho abarrotado de Sabrinas e Paulo Coelho. Não há perdão para um safado desses, e o mundo agradece a falta que ele não vai fazer.

 

 

 

 



s.o.

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